Rua dos Amores Ao Vivo está nas lojas


 

O documentário “Um olhar íntimo”, de Adriana Penna, que acompanha o DVD “Rua dos Amores – Ao vivo” tem o papel de mostrar um pouco do clima das gravações dos shows, que também geraram um CD, mas cumpre, principalmente, a função de esmiuçar a relação de Djavan com sua obra e com seus músicos. Pelos depoimentos dos mesmos, tocar com Djavan está longe da tarefa de acompanhar um artista popular cegamente, com suas manias e suas concepções musicais pré-definidas. Para eles significa tocar e ser tocado pela sensibilidade musical única, pelo talento e pela generosidade de Djavan. Estas e outras revelações nos leva a uma observação atenta a este trabalho que foge ao padrão por vezes cansado e econômico de algumas gravações ao vivo.


Tudo é pensado meticulosamente. Em certo momento, Djavan lembra que este tipo de trabalho concentra tudo em um ou dois dias. Ou seja, figurinos, fotos, áudio, vídeo... “Isso me joga num buraco negro de cansaço. Mas eu gosto do que faço, levo numa boa”, conta.
O disco e o DVD ao vivo, para o artista alagoano, tem como ponto de partida o reencontro com uma turma com a qual ele já havia trabalhado anos atrás, exceto o trompetista Jessé Sadoc, que o acompanhou pela primeira vez no disco de estúdio, de 2012. “Todos estão mais maduros, inclusive eu. Percebi, na hora, que a turnê seria um deslumbramento”.


Djavan conta também que não há uma fórmula para um roteiro de sucesso, mas diz que a necessidade de mesclar novas canções com sucessos consagrados é, para ele, um exercício musical profundo. Como interpretar “Flor de Lis”, “Sina”, “Samurai”, “Oceano”, depois de tantos anos, sem se repetir?


O resultado está no bate-bola maravilhoso com seus músicos, na criação coletiva de uma atmosfera musical envolvente, repleta de nuances, de timbres e arranjos que flertam com o jazz, com o soul, com o samba. E esta é a alma de “Rua dos amores – Ao vivo”.
Do disco de 2012, Djavan leva para o show “Rua dos amores”, a funkeada“Pecado”, a bela “Já não somos dois” e “Vive”, que já havia sido gravada por Maria Bethânia, em 2011, em “Oásis de Bethânia”. Se “Anjo de vitrô” é emoldurada por uma levada jazzística, a balada “Bangalô” flerta com o blues. Já em “Ares sutis”, a letra de Djavan namora com o poema “Tabacaria”, de Álvaro de Campos, pseudônimo do poeta português Fernando Pessoa em versos como “Quanto mais eu sei/ menos eu sei quem sou/Eu não sei se sou tanto”.


No mais, o cantor e compositor passeia por momentos pontuais de sua trajetória. Do primeiro disco, “A voz, o violão, a música de Djavan”, de 1976, seu primeiro sucesso: “Flor de lis”. De “Djavan”, de 1978, ele lembra“Cerrado”; de “Seduzir”, de 1980, a música homônima. Deste mesmo ano, mas de outro disco, “Alumbramento”, ele pesca “Meu bem querer”. Do trabalho que firmou Djavan definitivamente como um dos maiores artistas brasileiros, “Luz”, ele mostra “Samurai” e “Sina”. Um coro em uníssono em todas estas canções da primeira metade dos anos 80, mostraa atemporalidade que marca os grandes artistas.


Ainda dos 80, Djavan traz “Asa”, do disco “Meu lado”, de 86, “Doidice, do ótimo “Não é azul mas é mar”, de 87, e quatro músicas do disco “Djavan, de 89. E é muito bacana essa retrospectiva que apresenta “Curumim”, “Mal de mim”, “Cigano” e “Oceano”. O público ainda é brindado com releituras pertinentes de “Se, do “Coisa de acender”, de 92, e “Irmã de neon” e “Nem um dia”, do bonito, mas pouco lembrado, “Malásia”, de 96. Já o CD traz 15 das 24 faixas do DVD além da faixa bônus, a inédita “Maledeto”.


“Rua dos amores – Ao vivo” é, portanto, um apanhado sensível de um dos maiores artistas brasileiros, com uma assinatura única e um pacto definitivo com a beleza. João Pimentel

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