Música

Não é azul mas é mar

1987

Sobre o Album

No disco “Não é azul mas é mar”, a dolorosa resistência sul-africana contra o apartheid não apenas abre os trabalhos na poderosa balada “Soweto”, como desta vez, de forma direta, crua, transforma o sofrimento em lição para todo o mundo.

Essa foi, certamente, a primeira “canção de protesto” de Djavan. A ancestralidade africana, já presente em outras canções, volta nos vocais em yourubá que a embalam, mas é em português como sempre que o autor expressa sua visão das coisas do mundo. Como suas próprias músicas e carreira o levaram para o mundo, em “Soweto” o artista globaliza a temática de suas canções.

É nesse trabalho que Djavan retoma a parceria com Ronnie Foster, o mesmo produtor de “Luz”.  O disco esteticamente situa-se num meio termo entre os outros dois anteriores, nem tão soul quanto “Luz”, nem tão eletrônico quanto “Lilás”.
 
A globalização estética e temática, explícita ou sutil, comprova o que “Soweto” já anunciava. Em “Carnaval no Rio”, samba estilizado sobre uma moça carioca de vida airosa que recusa o assédio do autor, ela aparece de forma sutil. Mas é explícita no outro samba não menos estilizado, “Maçã”, no qual o autor bate na Espanha, destrói Casablanca, se revolta contra Nicarágua, se atola no Irã, beija em Nova York, acorda no frio e resolve voltar para casa: “Dei a volta/E voltei pro Rio”.

De maneira extrovertida, a globalização também está nas canções “Real”, pop resultado da primeira parceria com um compositor estrangeiro, o japonês Tetsuo Sakurai, do grupo Casiopea, e na música de pegada caribenha “Doidice”, que contém os versos finais em espanhol.

Outras imagens “marítimas” e “viajantes” aparecem como metáforas na canção “Navio”, primeira parceria com os filhos músicos e futuros parceiros constantes Flavia Virginia e Max Frederico Viana. 

Safra de belas e misteriosas canções como “Florir” e “Dounão-dou”, um grande sucesso radiofônico na época, a obra-prima do disco é justamente a canção de onde Djavan tirou o verso do título, “Bouquet”.

Como indica o nome do álbum, “Não é azul mas é mar” é o mais poético dos discos de Djavan.

Hugo Sukman

Músicas

  1. Soweto Ficha técnica | Letra
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  2. Bouquet Ficha técnica | Letra
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  3. Me leve Ficha técnica | Letra
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  4. Dou não dou Ficha técnica | Letra
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  5. Florir Ficha técnica | Letra
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  6. Carnaval no Rio Ficha técnica | Letra
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  7. Navio Ficha técnica | Letra
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  8. Maçã Ficha técnica | Letra
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  9. Real Ficha técnica | Letra
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  10. Doidice Ficha técnica | Letra
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